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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Abstrato Sólido


Teus olhos brandos me trazem a paz
E às vezes fecho os meus olhos cegos, pra mentalmente te ver 
Seu doce olhar a me conduzir...
Sinto instantes após o seu sorriso alívio e prazer

Teu corpo macio é cais que devo ir,
Porto onde atraco corpo exausto, descanso meu suor
Suas ondas me deixam navegar
E a você entrego esses versos, pedaços de mim

Nosso amor é correnteza... Mar
A onda serena que molda pedra bruta
E te vejo brincar na água, Ana...
Provar o sal do mar, na praia dourar teu corpo bronze

Pra você amor rasgo azul do céu
Das nuvens brancas retratos de nós  
Uma só estrada destino fiel
O abstrato sólido, o amor! 

(Thalles Nathan e Bruno de Santana Cruz)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Comandante das Sombras




Poeta cansado, triste e desnorteado.
Colheu tantas tristezas para rimas que nelas se afoga
Nobre menino de pesado fardos nas costas
... Às vezes os versos nos escapam

Condutor das sombras ilusórias
Tenente das frases a craseadas
Volumosos tormentos em tuas mãos
Tuas lágrimas secas não deixam marcas

… Desenhos obscuros, letras perdidas.
Linhas traçadas entre as fagulhas da busca por paz
Negras nuvens condenadas pelo tufão,
Nem sempre nascem umbuzeiros em quintais.

Saiba poeta que às vezes as rimas fogem
Da fúria de seus dedos feroz
As estrofes perdem a simetrias por mera ocasião
Poeta, a vida é de poema torto! Não é soneto...
Sombras são apenas ilusórias e não escuridão!
                      

(Thalles Nathan) 

sábado, 10 de março de 2012

voo de Ícaro

Cheguei ao fim do precipício
As nuvens batem em mim e desfazem
Penas presas à cera; asa e artificio
Deste alto os medos me caem bem

Respiro fundo, ouso planar sobre o vento
Livro-me dos cadeados de teus braços
Nem sinto o sol tão próximo; voo desatento
Eros, redundante seguia teus nítidos passos

Violento voo breve! De queda intensa...
O céu parecia a caixa de pandora aberta
Busquei fogo, chama viva na mão de um titã
Procurando de alguma forma não cair
Consultei oráculos, maranhados novelos de lã

E vi só o que o elmo deixou-me ver...


(Thalles Nathan) 04/03/12

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Versos meus

Podem rir de minha "intelectualidade",
De meus desperdícios de amor
E meu deplorável estado de embriaguez...
Podem recitar e expor
Todas as minhas fraquezas
Publiquem meus mais íntimos segredos
Podem chutar o pau da barraca, virar a mesa
Cutucar minhas feridas
Pisotear por todos os meus sonhos
Zombar de minha crença dilacerada
Falem do meu triste e cômico abandono
E enquanto isso limpo as chagas
Lembrando de canda um de vocês
Não por colecionar mágoas
...Nem cultuar rancor
É que por estar escrevendo
Eu sem muito bem onde apertam,
De onde vem os risos por está doendo...
Eu não me importo, fico com meus versos

(Thalles Nathan) 27/02/12

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Cartum

Senhorita; troquei tanto minhas vírgulas
Pelo seus... "Pois bem"
Decalquei nosso amor decrépito
Interrogava-te usando todos os meus "hein"
Bordo por linhas descosido a tudo já escrito
Fujo de teus pensamentos... Meu ego neófito


Por entrepausas não houvera vida alguma
Onde teus pés não tenham pisado
Murmurei planos em falsetes, de minha dicção restou-me traumas
Em todos os cantos em que seu olhos passeavam 
Por todos os cantos eu existia... 
Os poemas só tornavam-se poesias, quando de sua boca caíram


Não deu pra cravejar toda a rua, mas ficou por lá a chave perdida 
Eu! perfeitamente eu... em rabisco desenhado na areia
Ar de mim de mim roubado... Em sua charges bochechas rubras 
Valsante amor sobre a luz da lua
Decalco ainda teus traços em resumo
  
(Thalles Nathan) 08/09/09






Anunciações

Cansei desta estirpe
... Linhagem partidas em silêncio solto
Ingênuas brigas no almoço;
Seguidas de sorrisos elásticos para fotos
Fustiguei-me desse amor caótico
Me trouxeram apenas náusea de deus
Margarinas e seus comercias poéticos
Não fazem parte do nosso melodramas filosóficos
Em que vivemos o simples, beirando o prático

(Thalles Nathan) 26/02/12

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Alice no país da verdade

Alice, cortou os pulsos
De seu corte esvaíram-se sonhos
Que mancharam o tapete do seu quarto
Tapete que ganhara de sua tia Inácia
Após tê-lo trocado por quadro bisonho
No quarto, cartas e taças espalhadas ao chão

A dor da navalha que abrira pulsos e as veias
Feriram a todos de sua família, até o vô Pedro:
Que nunca chorara, desabou em lágrimas incessantes
Feridas são coleções de dores; que guardamos junto à cabeceira da cama
Fantasiadas às paranoias de outrora, de bem antes

Cassandra, sua mãe, vivera sempre dosada em remédios
Desde quando o marido havia amputado sua vida
De maneira irônica a trajetória da vida pode ser trágica
Se ajoelhava chorando pela filha em frente a um quadro
Mas parecia que nada ouvia Nossa Senhora Aparecida

Alice ao cortar os pulsos projetou-se involuntariamente na eternidade
No abismo sinistro de seus medos que tanto a sufocara durantes anos
Ela havia sonhado muito, mas tudo agora não passava de repúdios;
Tristezas cobriram seus olhos azuis... A eternidade a seduzira
Para um abstrato não muito diferente do seu real
O nada lhe abraçou num aperto cortante, soturno, frio e sem fim

(Bruno de Santana Cruz/Thalles Nathan) 10/02/12