Pages

sábado, 27 de outubro de 2012

Divina comédia humana


Nunca mais reclamou dos copos
que ficavam em cima da geladeira
Das conversas sem sentidos
E o pior sentia falta de tudo
Até do piso molhado no banheiro após o banho,
dos rastros de roupas no chão do quarto.
Ela tinha uma nova vida, um novo namorado, novas coisas para reclamar...
Mas queria de volta a antiga vida, o namorado que ela mesma já tinha desistido
E queria de volta a vida que deixou pra trás,
a mesma vida que afirmará não querer mais.
Ela quer a vida antiga pra reconstruir um futuro
Mas será que o futuro espera?

Thalles Nathan

27/10/12

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Brevemente hiato


O ato de sonhar é verbo lúdico
Um tanto quanto perigoso 
Pois o que separa do pesadelo 
É um breve hiato 

Thalles Nathan 12/09/12

Camaçari aqui, ari e acurá


A praça daqui é diferente
As pessoas não dão aquelas voltas a esmo
Sabem pra onde ir
E parecem saber desde quando saem
Sinto falta do desnorteio,
Das voltas sem sentidos
Mesmo aqui nunca sei para onde devo ir
E fico trancado
A praça daqui que me perdoe
Mas acho melhor não sair
Fica para outro dia Camaçari
E enquanto isso continuo sonhado
Com a Fonte-Luminosa, a Pérgula
E as voltas na praça Juracy

Thalles Nathan 15/10/12

Sol , Romeu, eternidade e Julieta


Os amantes amavam-se,
Carinhos tênues.
Mas esses amores que vendem livros
São acariciados por venenos e punhais
O tal do tom degradê
Manchando o vermelho músculo pulsante de um tom tinto rubro

Depois de uma noite inteira de amor,
... O amor ainda lhe eram asas.
Cantavam as cotovias na luz fina da manhã
Prenunciando a despedida

- O sol nasceu, partis Romeu!

Partir não queria, via-se ainda preso...
Preso nos olhos de Julieta, na preguiça lhe causavam
O envolver de seus finos braços de marfim polido
E via-se preso na vontade de conter o porvir

-Partis Romeu! Não vê que nasceu o sol?

Não sabiam eles que aquele desejo condensado
De ficarem um nos braços do outro
Era a pronuncia farpada da palavra "fim"
O que seriam dos amantes se compreendessem
Romeu romperá as cortinas da janela,
Despediu-se de Julieta
Prometendo a sua amada a serenidade do amor eterno
Que o bondoso Deus tratou de cumprir

Thalles Nathan  19/10/12


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Katsaridafobia


A barata se esconde no escuro,
Na bagunça do lixo, na sujeira dos restos de comida
Assusta quando voa sem rumo.

Barata é bicho que não se convida 
Entra sem cerimonias por debaixo da porta,
Arisca uma entrada pela janela aberta 

Desculpem meus pés que lhe perseguem
Quando não os prendo no chão imoveis
Presos ao medo que me causa 

Recebe de meu desespero 
Chineladas e borrifadas tóxicas pelos cantos da casa
Deixando a ebria quase morta 

Thalles Nathan  14/10/12      

sábado, 13 de outubro de 2012

Diferenças complementareis

Imagem: Isadora  Poulain 

Teu amor é brasa morna.
O meu é faísca, apena fagulha e brilha.

Teu desejo é demais, entorna.
O meu desejo se concentra em tua virilha.

Meu amor é poético, cheio de licenças...
O teu é a palavra acariciada pela pronuncia correta.

Meu desejo acredita na descrença
O seu é plausível dentro da minha camiseta

(Thalles Nathan) 13/10/12





quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Confusão


Foto, rosto, moldura...
Teus olhos brandos.
Desejando não olhar mais
Mas não consigo!
Cabelo, óculos, armação...
Lembrança e palavra mórbida.

Canso a vista, olhos ardem
Olhos fixos, pressiono, projeto-me
Nenhum sentido... Já não entendo nada .

Quadro, pego, exponho e escondo.
... As horas são gaivotas gordas, voam lentas.
Suspiro, desconjuro, almejo, excomungo...

Moldura, rosto, foto...
Brandos olhos teus
Eu e alguns de meus receios
Evito olhar
...Olhos, armação, óculos
Navalha, são palavras de lembrança.

Thalles Nathan   28/09/12