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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Asfalto, poeira e neon


O caboclo acordou do sonho severino 
Abandonou o costume de desperdiçar seu sono
Já não se avexa pelo afincamento demasiado do estereótipo  
Saiu do cabresto de cego peregrino
Adicionou ao calendário outonos e primavera 
E sobrevive folgadamente...

Desvincilhou-se da ilusão de dias edênicos
Pois seu próprios olhos se habituaram a produzir inundações.
Em suas veias... Asfalto poeira e neon 

Thalles Nathan 30/06/12   
    

sábado, 6 de outubro de 2012

Olhos retrô

Teus olhos refletem do retrovisor
Lançando-me olhares...
Que meus olhos covardemente desviavam
Enquanto usava o espelho para se maquiar

Desejava tanto poder me despedir,
Desejava uma palavra para repor
O som ao silêncio
As palavras deram um  nó ao sair da garganta...
Silêncio embalou minha fuga do teus olhares

Teus olhos induzem meu olhar, afanavam-me!
Não consigo fugir a eles, eu era alvo fácil
Tentava mas não me concentrava a paisagem ao meu redor
... Meus olhos desesperados, buscavam a fuga.

Eu não havia lhe dito nada, nada de mim saia
Por todo o caminho... Retrovisor, teus olhos...
Meus olhos e suas fugas... Lhe disseram tudo

(Thalles Nathan) 17/08/12

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dengos de minutas


Réstia de sol...
Fitava indulgente teus passos bambos
Esperando teus beijos na cama,
Aguardava manso, quase que em bemol

Escrevi a vapor,
Manchando o espelho de manhã com poesia
Expondo alguns receios,
Subi a escala, amo-te um tom maior

Ouço teu soar
Timbre agudo afinado ao contraponto
Feliz dissonância.
Desafiávamos métricas e compassos sem titubear

Amor cadenciado
Outrora entrepausas; Agora em apazão
Lençol amarrotado, notas soltas...
Era hora de compor e então deitados.

Thalles Nathan  01/10/12

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Queime em paz


É fogo!
Dia de praia, fogo de palha.
... Queimava-me por dentro
Só pode ser azia
Meus passos foram seguidos por minha sombra
Transpirava no caminho
Antes do mar; Suor...

Paixão que não queima
É beijo de lábios enrijecidos,
Mas tudo bem... Não precisa incendiar
Por que, eu me vejo frio.
Só meus versos são piromaníacos

Fogo queima: Pelos, mãos, dedos
Carros, casas, fósforos e papéis
... Sol é estrela incendiária!
E do céu: Queima, aquece, ilumina desperta
Bronzeia, descasca e resseca.
E haja protetor solar...

Thalles Nathan  25/09/12

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Gavetas Abertas


-... Eu quis, quis sim e de verdade.
- Talvez, se não tivesse desistido... Quem sabe?
- Foi preciso certas decisões, mas levei seus gestos comigo até como fazias.

- É... Vai ver você tem razão, foi apenas covardia
- Não me demonstrou ser outra coisa.
- E se...
- E se o que?! O que mais pode se fazer?
- Sei lá...

-... Nada, deixa pra lá...
- Não! Deixa pra não. Agora diz!
- Nem sei mais como dizer...
- Se começou termina... Oras!

- Agora que sabe... Acredita?
- Hum...
- Você ainda está ai?
- Tô... Tô sim. estava pensando enquanto dizia...
- E o que concluiu ?
- Amanhã te digo... Agora não dá mais
-  Está bem. Atá amanhã então... Beijos! tchau.
- Beijos... Fica em paz e boa noite.

Thalles Nathan 20/09/12

Elíseos


Retilíneo coração alado,
Compassa minucioso.
... Pousa milimétrico e alinhado
Nos rastro da métrica

Punhado de vida
Sopram zéfiros elíseos.
Trem de carga apintando
Toque o trilho, hostil e veloso.

Venha sol! Aqueça e ilumine
desmanche este céu gris
Faça o momento pairar eterno
Nenhuma lembrança ruim para imergir

Nuvens impressas, suspensas no ar
Deslocavam-se emoldurando paisagens
Risos densos colorem os campos,
Futurava ao chão olhando as nuvens espessas.

Insolúvel sonho lúdico...
Condoídos castelos na areia ,
Tempo quentes, dias felizes
... Assobio eólico
Veraneio a campos elíseos

Thalles Nathan          10/09/12

sábado, 1 de setembro de 2012

Envelhecer



O tempo conjuga o verbo e em minha carne
Diariamente sinto sua oração 
Eu, Sujeito. Sofro de sua ação 
... Eu envelheço!

Thalles Nathan 30/08/12